Desafogando a sempre afogada estante

No final do ano pinta um pit stop do trampo e dá pra arriscar uma tentativa de pôr a leitura em dia, com chances de engatar aí Carnaval e Semana Santa:

“Medo & Delírio em Las Vegas” (Hunter S. Thompson – LP&M Pocket) – A pedra fundamental do jornalismo gonzo, que muita gente sem um pingo de humor nunca vai entender. Hunter crava aqui seus clichês: drogas (legais ou não), bebidas, paranóia, calotes e arruaças dentro de quartos de hotéis ou de carros alugados, porte de armas de fogo, pautas furadas (ignoradas, esquecidas ou inexistentes) e, (ufa!) críticas políticas ácidas à era Nixon (pra contextualizar, um dos presidentes mais paranóicos, demagogos e direitistas da história moderna americana). Truman Capote teria pensado duas vezes antes de escrever “A Sangue Frio” se soubesse que Thompson levaria sua mistura de ficção com realidade a limites tão insanos. Bem, talvez ele tivesse apenas pedido outra garrafa de gim. Edição pocket contendo as ilustrações originais de Ralph Steadham, e adquirida, ironicamente, numa farmácia.

“50 Anos a Mil” (Lobão/Claudio Tognolli – Nova Fronteira) – Biografia do único filho homem de um mecânico e uma professora que se transformou num dos artistas mais inquietos e contestadores de sua geração. Sim, o mais desbocado também! E não fica ninguém de fora: genialidade musical precoce, rasteiras do mundo musical, os conflitos adolescentes dentro de casa, a escalada do envolvimento com as drogas; o céu, o inferno e o purgatório da fama. Lobão éum narrador voraz, aguçado e por vezes engraçadíssimo, mesmo descarregando sua costumeira metralhadora giratória a esmo e quase que sem pausa. A parte enfadonha fica com os levantamentos feitos em recortes e clipagens de época, reconstituindo os trancos e barrancos da persona non grata de Lobão na mídia através dos anos, nas mais diferentes situações, mas sempre carregado nas cores da superexposição.

“Keith Richards – Vida” (Keith Richards/James Fox – Ed.Globo) – Vida, obra e lendas desfeitas, onde a própria estória do guitarrista dos Rolling Stones e a cultura pop nos últimos 50 anos se entrelaçam ao longo de 612 páginas, que contam a trajetória do menino pobre nascido nas ruínas de subúrbios da Inglaterra pós 2ª guerra, e que acabou achando a luz no fim do túnel tocando numa banda de rock. Não uma banda de rock qualquer, mas “a maior banda de rock”, como se autodenominariam com o passar dos anos. Richards descreve com riqueza de detalhes passagens, personagens e fatos pitorescos do início da carreira, e de quebra ainda desvenda mistérios, lendas e pormenores em torno da carreira e bastidores dos Stones e de sua pessoa, que passou anos sendo associada a desregramentos e abuso de drogas. Surge então o amigo, o pai de família e o tough guy, capaz de sonhar com o riff de canções que mudariam gerações ou cair displicentemente de um coqueiro.

Sobre odeiopassas

Leia aqui tudo que os jornais não querem me pagar para escrever pois dizem que ninguém ia querer ler.
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2 respostas para Desafogando a sempre afogada estante

  1. cyn costa disse:

    Mérito seu dar uma idéia tão direta desses livros, me deu vontade de ler, os três. Ainda bem que sou sua amiga (e agora comadre). =) Beeeeeeeijo, Fefe!!! Saudade de você!!!

  2. fyb disse:

    boas leituras. do hunter vi so o filme. vou atras do lobao. t+

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