3 Vezes Dylan

I don’t believe in Zimmerman/I just believe in me
John Lennon, “God” – 1970

Enquanto existem artistas que passam a carreira inteira apoiados em um nincho, outros morrem e renascem dezenas de vezes, revalorizando seus nomes e repertórios. Bob Dylan, nascido Robert Zimmerman, numa pequena cidade de mineradores em Minessota, centro norte dos EUA, é uma dessas figuras que, como ele mesmo cantou, “não está ocupada nascendo/está ocupada morrendo”. Tantas saídas de cena e renascimentos renderam curiosidades e fatos pitorescos para enriquecer sua biografia enquanto homem que ajudou a mudar a face da cultura de massa nos últimos 50 anos no planeta Terra. Três biografias – uma não autorizada, uma semi autorizada e uma de próprio punho – atestam esse fato:

Dylan – A Biografia” (Howard Sounes): Lançada no Brasil pela Conrad Books, é uma biografia não autorizada, mas rica em detalhes e bastante minusciosa em seguir os passos de Dylan, de Dulluth, Minessota ao subúrbio de Tarzana, em Los Angeles, passando pelo Village em Nova Iorque, Woodstock, lugarejo no nordeste dos EUA e Big Sur, ao sul da Califórnia; lugares pra onde Dylan, sozinho ou não, migrou e fincou suas raízes por qualquer que tenha sido o espaço de tempo. Sem vínculos com a persona, não poupa detalhes que poderiam parecer escabrosos, como o acidente de moto em 67 que tirou Dylan de circulação por quase dois anos, ou detalhando episódios de turnês e fatos referentes à separação de Dylan e Sarah, chegando mesmo a revelar uma filha temporã do cantor com uma de suas backing vocals, mas sem tons sensacionalistas ou moralistas. Sounes ainda iria aventurar-se por biografias discográficas de artistas de jazz, como Miles Davis e John Coltrane. Atualmente fora de catálogo no Brasil.

Crônicas – Vol.1” (Bob Dylan): Autobiografia em estilo “back & forth”. Dylan começa por onde acha relevante, deixando o leitor um tanto desnorteado. Cada capítulo remete a um trabalho/disco, nem sempre correspondente em ordem cronológica aos que são considerados clássicos, mas os que tiveram impactos específicos para o próprio cantor. Pouco a pouco, entre adiantos e voltas, é possível entender os pontos de sua vida que Dylan acha que realmente deveriam ser revelados. Dylan assinou e recebeu por três volumes, mas até hoje editou apenas este. Possível de ser achado com um pouco de paciência nas livrarias.

No Direction Home” (Robert Shelton): Lançada originalmente em 1986, têve as bençãos, mesmo que à distância, de Dylan, graças à uma amizade antiga com Shelton, um dos primeiros a escrever sobre ele na imprensa americana. Mesmo sabendo do projeto, Dylan não intervem entre o autor e os entrevistados, sejam eles seus pais, seu irmão, amigos de diversas épocas e lugares, e ex companheiras. Autor e biografado cruzam-se pelos backstages em diversas oportunidades, num jogo de gato e rato onde os papéis de caça e caçador alternam-se, muito pela diversão pessoal do próprio Dylan. Trás valiosos perfis dos trabalhos considerados de peso do cantor (de 1961 a 1975), inclusive com minusciosas análises faixa à faixa. Foi revista e ampliada pelo próprio Shelton duas vezes, e relançada definitivamente um ano após sua morte, em 2010, sendo esta a edição recentemente lançada em português.

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Leia aqui tudo que os jornais não querem me pagar para escrever pois dizem que ninguém ia querer ler.
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