Os 10 Mais de 2011 (ou Não) (ou Pero No Mucho)

1.Foo Fighters – ‘Wasting Light’: O FF estava devendo um disco coeso e consistente desde ‘One by One’. Prejudicados, em parte, pelo entra e sai de músicos, ficaram dispersos no duplo ‘In Your Honor’, fizeram caldo de peteca com o ao vivo ‘Skin & Bones’ e ensaiaram voltar ao bom caminho com o enxuto ‘Echoes, Silence, Patience & Grace’. Mas estava escrito em algum lugar do grande livro do Rock’n’Roll que o pau ia cantar mesmo em ‘Wasting Light’. Até o time de convidados mete medo: Butch Vig (de ‘Nevermind’, ‘Siamese Dreams’ e outros clássicos dos 90’s) na produção, Lemmy (Motörhead), Bob Mould (Hüsker Dü/Sugar), Chris Novoselic (vocês sabem quem…), e a volta de Pat Smear. Da segunda música em diante você pode fechar os olhos e se sentir dentro de um clássico. Já na estrada, fizeram performance antológica, com chuva e tudo, no Lolapalooza em Chicago. Dave Grohl cada vez mais longe da sombra do Nirvana, e olhe que Butch Vig já avisou que o melhor fica pro disco de inéditas de 2012. Sério candidato a aparecer na lista do ano que vem então.

2.Beastie Boys – ‘Hot Souce Committee Two’: Essa jóia foi pra gaveta há quase dois anos quando Adam Yutch foi diagnosticado com câncer. Lá, guardadinha, ela só atingiu o tempo de maturar e virar jóia. Donos de um excelente bom gosto pra clipes, retomaram a tabelinha com o diretor Spike Jonze em “Make Some Noise’, com roteiro no melhor estilo SNL. Achou pouco? Levam a estatueta de parceria do ano ao dividirem o microfone com Santigold em “No Play No Game That I Can’t Win”, que de quebra ganhou o clipão aí.

3.Red Hot Chili Peppers – ‘I’m With You’: Se você é fã das antigas do quarteto vai perguntar “de novo?”. Se você é fã só do ‘Californication’ pra cá vai achar que a banda foi pro espaço sem John Frusciante . Nem tanto ao céu e nem tanto ao mar. O esquisitinho Josh Klinghoffer não é Frusciante, difinitivamente, mas a renovação que ele tráz à banda salta aos olhos. As qualidades de multiinstrumentista do rapaz foram exploradas sem pena, e junto ao reforço do catarinense Mario Refusco (que também toca no Atoms For Peace, do radiohead Thom Yorke e Flea) deram outras cores ao molho apimentado dos peppers. Sobrou até uma guitarrinha safada, com cara de Chimbinha, em “Did I Let You Know’. Pimentas chili ao tucupi!

4&5.Mogwai – ‘Hardcore Will Never Die But I Will’|’Earth Division’ : Vocês acharam mesmo que eu ia fazer dessa lista uma coisa séria? Com tanta banda ‘hype’ lixo por aí o post-rock virou o novo alternativo, e o Mogwai puxa o cordão. Em 2011 os escoceses mostraram fome de bola ao lançar o ep ‘Earth Division’ logo depois de pôr na praça ‘Hardcore Will Never Die But I Will’. Ambiências, climões ‘high & low’ e até músicas cantadas pra acabar com o que sobrou dos seus ouvidos em 2011.

6.Russian Circles – ‘Empros’: Toda banda com potencial chega no ‘disco do quase’. O Russian Circles estava uns dois discos no modo ‘quase’, daí acertou a mão nesse ‘Empros’. Bem mais pesados e bem mais viajandões, em doses iguais, acabaram assim desbancando ‘Take Care, Take Care, Take Care’ do Explosions In The Sky de estar aqui.

7.The Vaccines – ‘What Did You Expect From The Vaccines?’: podem até ser hype e sumirem em 2012, mas trouxeram de volta a energia, melodia e um humor sofisticado que o mundo perdeu com o fim dos Smiths. Exagero? Chame seus amigos pra uma festa na sua casa e aplique esse CD de ponta à ponta. Infalivelmente divertido.

8.Loutallica – ‘Lulu’: A primeira impressão que se tem ao ouvir ‘Lulu’ é que se está em uma sala, entre dois aparelhos gigantescos de som, onde um toca ‘Berlin’ e o outro ‘And Justice For All’, simultaneamente. Passada a confusão auditiva cai a ficha que estamos entre dois artistas consagrados que não tiveram medo de arriscar no passado (Reed com ‘Metal Machine Music’ e Metallica com ‘Load/Reload’) e que não se furtam a criar um frankenstein sonoro ao forçar seus limites.

9.Walverdes – ‘Breakdance’: Opa, mas esse saiu em 2010…No finalzinho de 2010, na verdade; e fez bonito mais que tudo nacional em 2011. Visceralidade, simplicidade e energia continuam sendo o prato do dia desses gaúchos. Um rodízio de melodias simples, guitarras pesadas e sofisticação zero. Se você procura o bom e velho rock de garagem, é tudo seu.

10.Eskimo – ‘Felicidade Interna Bruta’: quem conhece esse projeto do baixista Patrick Laplan (ex Los Hermanos, Rodox e ‘sideman’ de Biquini Cavadão, MV Bill e outros) acompanhou o ‘parto’ do disco via internet. Cavaquinhos e guitarras toscas, vocais infantis com pianos de calda em melodias sinistras, baixos funky e instrumentos eletrônicos de brinquedo. Nos próximos dez anos, no mínimo, “Felicidade Interna Bruta’ vai servir de padrão pra qualquer disco gravado por artista inovador no quarto de casa. A mixagem é algo tão bem costurado que chega a dar medo. Muitos, como eu, esperavam algo no ‘padrão IPECAP’ de qualidade, mas felizmente quebrei a cara. A colcha de retalhos ganhou vida e (muita) personalidade.

Sobre odeiopassas

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